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Reconstrução mamária

O Diário - 22 de janeiro de 2026

Reconstrução mamária

Maria Luiza De Bonis Lopes, estudante do 2º período do curso de medicina da FACISB, sob orientação de Nathalia Lionel de Carvalho

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Integridade física e psicológica restabelecida após mastectomia

O corpo humano é composto por células somáticas, capazes de se multiplicar através da mitose, permitindo a renovação e a reposição tecidual contínuas. No entanto, como em qualquer mecanismo suscetível a falhas, essas células podem apresentar alterações de controle, resultando em proliferação e crescimento anormal em determinadas regiões corporais. Nas mulheres, as células mamárias localizadas nos lóbulos produtores de leite são as que apresentam alterações proliferativas e anormalidades com maior frequência, favorecendo a formação de tumores e originando o câncer de mama — a principal causa de morte por neoplasias em mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Atualmente, a paciente pode optar, em conjunto com a equipe médica, entre diferentes abordagens terapêuticas frente à luta contra o câncer de mama, uma dessas opções é a mastectomia — procedimento cirúrgico profilático e terapêutico, que consiste na retirada total do tecido mamário glandular e linfonodos axilares. A mastectomia traz consigo um inevitável sentimento de perda atrelado à identidade e à feminilidade idealizada socialmente, gerando vulnerabilidade psicológica. Nesse cenário, a reconstrução mamária surge como uma oportunidade de recuperação da integridade corporal, preenchendo o vazio simbólico deixado pela doença e minimizando o processo de luto pela imagem corporal pré-diagnóstico, visto que a mama carrega consigo um significado para além da anatomia feminina. Relatos de mulheres submetidas ao procedimento revelam que a associação entre mastectomia e reconstrução mamária contribui para a satisfação pessoal. Somada à restauração da autoimagem, a reconstrução representa um passo para a reintegração social e equilíbrio emocional, reafirmando o cuidado humanizado da cirurgia plástica no tratamento oncológico. O instrumento de estudo World Health Organization Quality of Life (WHOQOL), avaliou o impacto da reconstrução mamária e as consequências sobre o bem-estar das mulheres com câncer de mama, concluindo que o procedimento reconstrutivo abrange benefícios vinculados às dimensões físicas, emocional e psicossocial, promovendo uma reabilitação menos dolorosa frente à doença. Atualmente, a cirurgia reconstrutiva é fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme estabelecido pela Lei nº 12.802/2013, o que reflete um avanço na recuperação psicológica e na restauração da dignidade no período pós-operatório.