Riscos do uso prolongado de descongestionantes nasais
O Diário - 11 de janeiro de 2026
Maria Luísa Furtado de Andrade, estudante do 2º período do curso de medicina da FACISB, sob a orientação o prof. Lucas Borges Pereira.
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O uso de descongestionantes nasais se tornou tão comum que muita gente mantém um frasco na bolsa, no carro ou na mesa de trabalho. O alívio imediato que eles proporcionam faz com que o líquido pareça uma solução simples para qualquer episódio de nariz entupido. No entanto, embora o efeito imediato pareça inofensivo, o uso frequente desse remédio pode provocar alterações que não se limitam ao nariz. Esses medicamentos atuam provocando vasoconstrição na mucosa nasal, reduzindo o inchaço e permitindo a passagem de ar.
O problema surge quando o uso torna-se constante, visto que ele é seguro e eficaz quando feito por, no máximo, 5 dias. Depois disso, o corpo começa a reagir negativamente, famoso “efeito rebote”, ocorrendo uma dilatação ainda maior dos vasos e causando congestão intensa. Essa inflamação persistente, conhecida como rinite medicamentosa, é causada pelo ciclo vicioso, alterando o equilíbrio do sistema respiratório como um todo.
No conceito de via aérea unificada, qualquer processo inflamatório no nariz (via aérea superior) pode colaborar para a piora das condições do pulmão (via aérea inferior), já que a mucosa constantemente irritada funciona como estímulo contínuo para a outra via aérea. A busca por alívio rápido acaba prolongando a inflamação que desencadeia novos sintomas, podendo ser alguns deles: piora do controle da asma, dificuldade para respirar, chiado no peito ou tosse persistente, cansaço fácil ao realizar atividades e maior sensibilidade dos pulmões a poeira, fumaça, perfumes ou mudanças de temperatura. A mucosa nasal, irritada de forma crônica, deixa de filtrar, aquecer e umidificar adequadamente o ar que chega aos pulmões, tornando-os expostos a alérgenos e poluentes.
Apesar disso, muitas pessoas se acostumaram a usar o descongestionante diariamente, sem perceber que estão agravando a própria condição respiratória. Medidas não farmacológicas, como lavagem nasal com soro fisiológico e o uso de corticoides intranasais sob orientação médica, são alternativas mais seguras para controlar a congestão sem comprometer o restante da via aérea. O nariz não é uma estrutura isolada, mas sim o início de um sistema complexo que influencia diretamente o funcionamento dos pulmões.



