Sagrada Família: Jesus, Maria e José
Diocese de Barretos - 28 de dezembro de 2025
Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
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Após celebrarmos o Nascimento do Salvador, celebramos neste domingo a festa da Sagrada Família, cujo evangelho desta festa neste ano narra a fuga para o Egito (Mt 2, 13-15.19-23). O Papa Francisco na Exortação Apostólica “A alegria do amor”, nos diz: “A Encarnação do Verbo em uma família humana, em Nazaré, comove com a sua novidade a história do mundo. Precisamos mergulhar no mistério do nascimento de Jesus, no “sim” de Maria ao anúncio do anjo, quando foi concebida a Palavra no seu seio; e ainda no “sim” de José, que deu o nome a Jesus e cuidou de Maria; na festa dos pastores no presépio; na adoração dos Magos; na fuga para o Egito, em que Jesus participou no sofrimento do seu povo exilado, perseguido e humilhado; na devota espera de Zacarias e na alegria que acompanhou o nascimento de João Batista; na promessa que Simeão e Ana viram cumprida no templo; na admiração dos doutores de lai ao escutarem a sabedoria de Jesus adolescente. E, em seguida, penetrar nos trina longos anos em que Jesus ganhava o pão trabalhando com suas mãos, sussurrando a oração e a tradição crente do seu povo e formando-se na fé dos seus pais, até fazê-la frutificar no mistério do Reino. Este é o mistério do Natal e o segredo de Nazaré, cheio de perfume da família! É o mistério que tanto fascinou Francisco de Assis, Teresa do Menino Jesus e Charles de Foucauld, e do qual também as famílias cristas para renovar a sua esperança e alegria” (n. 65) A família de Nazaré não é uma família que vive de sonhos e presságios, não é uma família que está numa redoma para se preservar do contágio do mundo; mas, ao contrário, é uma família pobre, humilde, que vive do trabalho, submetida às tradições de Israel, que experimenta o medo, a solidão, que tem que fugir para uma terra estranha, como tantas famílias do nosso tempo obrigada a abandonar sua pátria para poder sobreviver as intempéries do tempo, para poder garantir o pão de cada dia ou libertar-se da discriminação e a ameaça da intolerância. Jesus, Maria e José são exemplos para as famílias de todos os tempos, em particular do nosso tempo tantas vezes ameaçada pelo ódio, pelos vícios, pela discórdia e sobretudo pelas desigualdades provocadas pela corrupção que lhes nega os direitos mais necessários, e a seduz na corrida pela ostentação e desperdício. Considerando a família de Nazaré obrigada a abandonar a sua pátria para fugir da ira do rei cruel, nós hoje pensamos nas muitas famílias do nosso tempo vítimas das guerras, que veem suas casas e cidades destruídas, famílias que são vítimas de catástrofes naturais, fruto do desrespeito pela natureza, pela negligência da Casa Comum, criada por Deus para ser o lar da família humana, onde todos possam ter vida em abundância. Rezemos pelas nossas famílias! Peçamos a Sagrada Família que nos obtenha um coração capaz de solidarizar-se com as famílias que sofrem, famílias que hoje prolongam os sofrimentos de que foram vítimas a Família de Nazaré. Deus abençoe as nossas famílias.



