Saúde mental nas redes: quando a informação vira diagnóstico
O Diário - 14 de agosto de 2026
Julia Micheloni Zambelli, estudante do 2º período do curso de Medicina, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato
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O tema da saúde mental vem sendo assunto recorrente em vídeos postados nas redes sociais. Embora eles tenham um impacto na redução do preconceito e na ampliação do diálogo acerca das doenças, também pode favorecer o autodiagnóstico, a automedicação e a simplificação delas.
Muitos vídeos são feitos como relatos pessoais, nos quais quem grava conta seus sintomas e remédios que lhe foram receitados, muitas vezes com a intenção de compartilhar sua experiência ou ajudar outras pessoas. O risco aparece quando a experiência individual passa a ser entendida como uma regra geral, levando quem assiste a se identificar com os sintomas descritos e a interpretar aquele conteúdo como um diagnóstico para si.
Um estudo publicado no Journal of Medical Internet Research analisou 1.000 vídeos sobre saúde mental na plataforma TikTok e observou que apenas 20,7% dos vídeos analisados citam referências explícitas. Também foram encontrados conteúdos com informações incorretas ou bastante simplificadas, incluindo exemplos de autodiagnóstico, como associar esquecimentos comuns diretamente ao TDAH. Um mesmo sintoma pode ter várias causas; por isso, vídeos nas redes sociais não devem ser usados como diagnóstico.
É importante destacar que, quando há sofrimento persistente, prejuízo na rotina ou intenção de usar ou interromper medicamentos, é essencial buscar avaliação profissional. Ao procurar informações sobre saúde mental, também é importante priorizar fontes confiáveis e instituições competentes. A internet pode abrir a conversa, mas avaliação e cuidado devem vir de serviços seguros e profissionais qualificados.