Ser pequeno diante de Deus: confiança que transforma
Diocese de Barretos - 29 de abril de 2026
Ser pequeno diante de Deus: confiança que transforma
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
Se a pequena via é um caminho de santidade acessível a todos, sua base é clara: a confiança total em Deus. Para Santa Teresinha do Menino Jesus, reconhecer-se pequeno não é motivo de tristeza, mas de liberdade. Ela dizia: “É a confiança, e nada mais que a confiança, que deve nos conduzir ao amor.” Continuando nosso caminho pela Pequena Via de Teresinha, iniciado na quarta-feira passada, Teresinha entendeu que não podia confiar em suas próprias forças. Suas limitações eram evidentes. Em vez de se desesperar, ela transformou essa fraqueza em caminho espiritual: abandonou-se completamente nos braços de Deus. Ela se via como uma criança diante do Pai. E uma criança não precisa saber tudo, nem fazer tudo sozinha. Ela confia. Essa é uma grande provocação para nós hoje. Vivemos em um mundo que valoriza o controle, a autonomia e a autossuficiência. Queremos resolver tudo com nossas próprias mãos. Mas isso gera ansiedade, medo e insegurança. A pequena via propõe o contrário: confiar. Confiar quando não entendemos. Confiar quando as coisas não saem como planejamos. Confiar quando nos sentimos fracos. Isso não é passividade. É uma atitude ativa de fé. É dizer: “Senhor, eu não consigo, mas eu sei que Tu podes.” Essa confiança transforma nossa relação com Deus. Ele deixa de ser apenas um juiz distante e se torna um Pai próximo, que cuida, sustenta e conduz. Teresinha vivia isso concretamente. Em meio às suas dificuldades, ela não buscava soluções complicadas, mas se colocava nas mãos de Deus com simplicidade. Ela escreveu: “Nunca me apoiei nas minhas próprias forças; o Senhor sempre foi a minha força.” Esse abandono não elimina os problemas, mas muda a forma como os enfrentamos. Em vez de desespero, nasce a paz. Em vez de medo, nasce a esperança. E essa confiança se torna ainda mais necessária quando lidamos com outras pessoas. Porque amar o outro — especialmente quando é difícil — exige um coração que confia em Deus. No próximo artigo, veremos como a pequena via se concretiza no amor ao próximo, especialmente nas relações mais desafiadoras do dia a dia. (Continua na coluna da próxima quarta-feira)




