Sina de cowboy campeão
O Diário - 20 de março de 2026
Marcelo Murta
Compartilhar
O escurecer acende vagalumes. Que brilham como estrelas na mata fechada. Na altura do arame farpado que separa o pasto do céu. A lua em fase de bojo de viola caipira. Cheia de melodias sertanejas. A varanda é o farol que ilumina a entrada. Na cozinha mora o fogão a lenha de matar fome de queima do alho. Moringa de água santa. Com medo da lucidez, ele foi dormir mais cedo. O sonho cura as feridas da vida. A imaginação desenha o futuro do herói. Comitiva de anônimos que desbravaram o país. Não deseja cuidar de lavoura quando crescer. Quer ser montador de touros bravios. Treina e cai até conseguir parar no lombo escorregadio do boi pulador. Na madrugada, cavalo arriado tocando boiada na invernada solitária. Seu chapéu guarda sua história. Memórias do menino que cresceu torcendo por seus astros na arena das ilusões. Com seu laço desenha sua sina. Lança sua sorte no ar. Frescor da manhã escorrendo no rosto. Breto de madeira suja é seu equipamento esquecido na academia do quintal. Barril vazio de óleo de trator pendurado em quatro cordas. Seu touro mecânico que aperfeiçoa a técnica. Depois de tantos anos estudando pulos e tombos, resolveu partir. Da janela do ônibus jardineira, com tristeza, pode ver as lágrimas da sua mãe querida. A poeira da estrada escondeu o seu passado. Chegou desconhecido na Capital do Rodeio. Na final do domingo fez a melhor nota e foi o Campeão. A multidão gritou e aplaudiu. No estádio lotado reparou nos olhos da morena. A moça laçou o coração do Cowboy vencedor. Casaram e foram felizes. Barretos é uma fábrica de vencedores. Templo sagrado onde nascem verdadeiros campeões mundiais. Abraços Cavalares.



