Sobre mitos e mentiras
O Diário - 22 de maio de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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“Molhou” para quem defendia que mitos não trazem consigo segredos inconfessáveis. Foi uma semana difícil para quem defende “Deus, Pátria, Família e Liberdade”, desde que sob, as bênçãos de Deus, se cometa atrocidades como defender a “igualdade branca”; a pátria se confunda com negócios privados; que a família ideal seja de mulheres traídas, maridos com relações extraconjugais e prole tida fora do casamento; e, a liberdade tenha sempre um cargo para chamar de seu. As duas coisas não dá...
Quem ficou chocado com os áudios divulgados pelo Intercept Brasil que desmoralizaram Sérgio Moro e Deltan Dallagnol e não se impressionou agora com os áudios do senador Flávio Bolsonaro chamando a Daniel Vorcaro de “...irmão...” e cobrando alta cifra em dólares, padece do Mal de Indignação Seletiva, patologia comum na era da paranoia digital.
O trecho de áudio, nada descontextualizado, deixa claro que as íntimas relações entre governantes e financiadores do poder ainda é uma chaga viva do Brasil, independentemente do partido e da ideologia. Questiona-se: qual a diferença entre um filme financiado por um banco e um desfile de escola de samba em ano eleitoral, já que ambos promovem figuras políticas? Qual a semelhança amoral entre o recebimento de um estojo de joias Chopard e um sítio em Atibaia? Qual a mudança ideológica no recebimento de um tríplex no Guarujá e de franquia de chocolates servir de fachada para lavagem de dinheiro?
A resposta não está no fato, mas nos eleitores e eleitoras. Se são do candidato “preferido”, a corrupção ganha elasticidade e condescendência; se do candidato “odiado”, é condenação virtual sumária no Tribunal da Internet.
A prática do extermínio do adversário na política brasileira precisa acabar e passa pela capacidade de análise crítica dos eleitores levando o voto do campo da emoção para o da razão e não da ideologia. Sergio Lazzarini tratou do capitalismo de laços que descreve como Governos e a elite empresarial privada se entrelaçam por meio de financiamentos, participações acionárias e troca de favores políticos.
Enquanto não houver criticidade na definição do eleitor, os favorecidos serão os mesmos: quem sempre esteve no poder, quem nunca saiu de lá e quem quer entrar no esquema.




