Sobre saber sambar
O Diário - 1 de maio de 2026
Claudia Lima
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Sempre haverá essa Força no ar.
Eu aprendi a sambar com uns 6 anos. Minha irmã me ensinou. Gira o calcanhar de um pé e depois joga o outro pé pra frente e o gira também, dando pequenos saltitos, girando o quadril para lá e para cá e movimentando os braços e as mãos como uma onda que se move junto com o vento. No rosto, o sorriso perfeito de quem sabe que é brasileiro e sabe ser bom, generoso, cordial e alegre. Não, não nascemos assim. Somos diuturnamente forjados a sermos fortes e não desistirmos, pelo contrário, nos aprimoramos em transformar o nosso pequeno mundo em um lugar cheio de vida.
O samba tem esse gingado que representa o movimento de viver. Chacoalhar a alma, girar o corpo, transformar a inércia em efusão. O samba nos convida a dançar com toda energia dos músculos. Sambar também é sinônimo de dar um jeito na vida; quem samba veio do marco zero e virou mestre sala e porta bandeira. Quem samba tem essa força estranha que Caetano canta com tanta emoção.
Vida é alegria, vida me dá prazer, vida é a luz do sol, já cantava Gal. Viver com samba no pé nos ares que só nesse canto do hemisfério sul há. Por aqui sempre encontraremos essa força no ar.




