Esqueci minha senha
Sonhar sempre vence a morte

O Diário - 5 de agosto de 2026

Sonhar sempre vence a morte

Cláudia Martins de Lima. Cirurgiã-Dentista, Especialista em Ortodontia, Mestranda em Odontopediatria e Ortodontia, Membro do Conselho Curador da FEB, Dentista do Bem

Compartilhar


Os sonhos são a forma que Deus pensou para encontrarmos quem precisou partir. 

Hoje eu estava lavando a garagem da minha mãe e meu irmão chegou no portão, o abriu, estava com as mãos cheias de samambaias e me dava alguma ordem que minha memória desperta já não lembra qual foi. Eu obedeci, claro, peguei as samambaias e segui lavando o quintal. Minha mãe estava lavando a frente, eu ouvia a voz dela. Meu irmão subiu as escadas, foi em direção a cozinha e eu dentro do meu sonho pensei: “estou vendo e falando com meu irmão! ” Nesse momento ele está comigo. É real! Nessa altura já sabia que se tratava de um sonho, mas eu desfrutava da presença simultânea minha e do meu irmão sem ser num vídeo antigo ou numa foto ou ainda no pensamento. Eu conversava com ele uma conversa nova, que nunca tinha acontecido. E sobre um fato atual porque as samambaias eram do aniversário da minha filha que havia acontecido há uma semana. A magia do sonho acaba quando percebemos que é sonho, então, senti despertar. Mas o sonho aconteceu e a sensação de ter ido ali encontrar meu irmão e ouvir a voz da minha mãe seguiram comigo durante todo o dia. No sonho, meu irmão não voltou para matar a saudade. Voltou para continuar um dia que a vida interrompeu, mas que o amor insiste em seguir. Enquanto eu lavava o quintal, meu irmão viveu mais alguns minutos ao meu lado. A eternidade talvez seja essas pequenas cenas que a morte não consegue controlar. O calendário do último encontro correu nove anos, falei com meu irmão pela última vez em maio de 2017. Estivemos na casa da nossa mãe hoje. Eu, ele e nosso amor vencemos a morte.