Sono e estresse: um ciclo que afeta a saúde
O Diário - 12 de agosto de 2026
Isabela Ferrari Mori Araujo, estudante do 4º período do curso de Medicina, orientada pela profª Adriana Paula Sanchez Schiaveto
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“Acordei no meio da noite pensando nas coisas que preciso resolver”. Esse é um relato comum entre as pessoas com dificuldades de sono. Frequentemente o sono é interrompido por preocupações do cotidiano, um dos primeiros sinais de que o estresse já está afetando sua qualidade.
O estresse pode surgir de diversas situações do dia a dia e exige do organismo um esforço de adaptação. Diante dos desafios, o corpo ativa mecanismos de alerta para lidar com essas demandas, o que pode interferir no sono, que deixa de ser reparador.
Em situações estressantes há aumento da liberação do cortisol, hormônio que prepara o organismo para reagir. Essencial para a sobrevivência, o cortisol em excesso, está associado à ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração. Em condições normais, seus níveis são mais altos pela manhã favorecendo a disposição ao despertar, e diminuem ao longo do dia, atingindo níveis baixos à noite, quando o corpo se prepara para o descanso. No entanto, sob estresse, o cortisol pode permanecer elevado durante a noite, dificultando o início e a manutenção do sono. Isso ajuda a explicar os despertares noturnos acompanhados de pensamentos e preocupações.
A má qualidade do sono impacta diversas funções do organismo, criando um ciclo em que o estresse prejudica o sono e o sono insuficiente intensifica o estresse. A falta de descanso compromete a atenção, a memória e o desempenho em tarefas simples. Também aumenta a irritabilidade e reduz a capacidade de lidar com frustrações. Pequenas demandas passam a parecer maiores do que realmente são e o cansaço constante contribui para um estado de exaustão física e mental.
Por isso, é fundamental adotar estratégias para lidar melhor com as demandas diárias e prevenir o estresse. Manter uma rotina de sono, reduzir estímulos antes de dormir, praticar atividade física e ter alimentação equilibrada, especialmente à noite, são medidas que favorecem um descanso mais reparador. Ainda assim, se as dificuldades persistirem, é importante buscar a avaliação de um profissional de saúde.