Suplementação excessiva aumenta a imunidade ou o QI do bebê?
O Diário - 19 de março de 2026
Carolina Roselli Chicanato, estudante do 3º período do curso de medicina da FACISB, orientda pela professora Thais Kataoka Homma
Compartilhar
Nos últimos anos, o uso de suplementos alimentares tem se tornado cada vez mais comum. Esses produtos são desenvolvidos para complementar a dieta e fornecer nutrientes que, em condições ideais, deveriam ser obtidos por meio de uma alimentação equilibrada. No entanto, o consumo indiscriminado ou em excesso pode trazer riscos à saúde, especialmente durante a gestação.
Algumas suplementações são, de fato, recomendadas nesse período. A Organização Mundial da Saúde orienta o uso de ácido fólico e ferro por gestantes, pois esses nutrientes são importantes para o desenvolvimento adequado do bebê e para a saúde materna. O problema surge quando a suplementação passa a ser utilizada sem indicação médica ou baseada em promessas sem comprovação científica.
Recentemente, ganhou destaque nas redes sociais o chamado “protocolo superbebê”, divulgado por influenciadores. A proposta envolve a aplicação de vitaminas e aminoácidos em gestantes com a promessa de aumentar o QI e fortalecer a imunidade do bebê. No entanto, não existem evidências científicas que comprovem esses benefícios. Pelo contrário, o excesso de vitaminas pode causar intoxicação e sobrecarregar órgãos como fígado e rins, tanto da mãe quanto do bebê em desenvolvimento.
Isso não significa que suplementos nunca sejam necessários. Em algumas situações, eles são fundamentais, especialmente quando há deficiência de determinados nutrientes. Pessoas que passaram por cirurgia bariátrica, por exemplo, podem apresentar menor absorção de vitaminas e precisar de reposição. Da mesma forma, atletas podem necessitar de orientação nutricional específica para melhorar a recuperação e o desempenho.
Ainda assim, é importante lembrar que a maior parte das vitaminas e minerais de que o corpo precisa pode ser obtida por meio da alimentação. Quanto mais colorido for o prato, maior tende a ser a variedade de nutrientes consumidos.
Em síntese, suplementos não aumentam milagrosamente a imunidade ou o QI de um bebê. O uso desses produtos deve sempre ser orientado por um profissional de saúde. E, durante a gestação, o mais seguro continua sendo o acompanhamento médico aliado a uma alimentação equilibrada.



