Tempo ao tempo
O Diário - 17 de maio de 2026
Rogério Ferreira da Silva é cirurgião dentista
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Encontre tempo para se demorar nas pessoas que você ama. Tenha tempo para estar. Demorar mesmo, sem relógio na mão, sem celular na mesa, sem pressa de ir embora. Olhar no olho, sabe como é? A vida não avisa quando será a última vez, o último almoço em família, a última risada despretensiosa na cozinha, o último abraço dado sem saber que era despedida. Ninguém dura para sempre, e nunca saberemos quando será a hora de uma despedida. E aí a gente entende que não tem como remarcar afetos, não tem como reagendar conversas com quem amamos. O que não é vivido hoje vira remorso amanhã. Demore-se no abraço. Patrimônio nenhum substitui memória construída. A gente nuca sabe quando será a última vez. E, quando a última vez chega, que você tenha a certeza de que quem partiu não ficou com dúvidas do que você sentia. Aceitar o que não depende de nós é um voto de confiança na vida. E eu sei que isso não é simples. A gene quer resposta rápida, solução imediata, quer que o cenário mude no tempo do nosso relógio. A gente se angustia, antecipa tragédias, cria diálogos que nunca acontecera, sofre por coisas que talvez nem existam. Tem coisas que não estão sob o nosso controle. A vida responde ao tempo, e o tempo não corre na velocidade do nosso medo. Eu também me pego querendo tudo para ontem. Também me vejo calculando possibilidades, imaginando desfechos, tentando prever o imprevisível. Mas eu aprendi que preocupação não resolve nada. Não adianta viver duas vezes o mesmo problema; uma vez na imaginação e outra na realidade. Confiar é difícil porque confiar exige fé, e fé não combina com controle absoluto. É preciso acreditar que nem tudo precisa ser resolvido hoje para estar no caminho de dar certo. A gente precisa colocar o pé, porque Deus sempre coloca o chão. Sempre. Um ótimo domingo para você.




