Tenha certeza, não confunda!
O Diário - 3 de fevereiro de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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O deputado federal Nikolas Ferreira não caminhou por Bolsonaro, nem por liberdade, nem por justiça... Caminhou por si próprio, pelo engajamento nas redes sociais e por 2030. Sim, é uma afirmativa. Talvez, o jovem político já entendeu, assim como João Campos (seu já suposto adversário geracional), que 2026 é um “divisor de águas” da política brasileira e decidiu criar seu próprio caminho (contém ironia!), caminhando sozinho – em tese – por Bolsonaro, mesmo longe, para não ganhar a pecha de traidor do político que o alçou ao estrelato.
A explicação é simples: em que momento o jovem Nikolas fez enfretamento contundente legislativo-parlamentar contra aquilo que diz combater em redes sociais: o próprio “sistema”? Não o fez porque estava com Valdemar Costa Neto – o dono do sistema todo – e para não criar problemas com seus financiadores, apoiadores de campanha e ideias que veem de onde: do próprio sistema que ela jura combater!
Assim, a caminhada do deputado foi para que, amanhã ou depois ou em 2030, não digam que ele não “lutou” por Bolsonaro e não seja classificado como “traidor”, e só. Além disto, o gesto meramente simbólico serviu mais para reengajar os usuários, dependentes de vídeos curtos, com mensagens rasas e muito mais plantar “verdades absolutas” que pela causa em si, já que não há causa... Assim como uma horda de malucos insistia em dar “Bom dia, presidente Lula” na porta da carceragem de Curitiba, outros tantos seguiram Nikolas. Faria um bem enorme ao país e a si mesmo se caminhasse pela CPMI do Banco Master, esta sim, uma causa nacional, cheia de estranhas brasilidades, confrontando os fatos com Dias Toffolli, mas respeitando, claro, a institucionalidade.
A caminhada serviu, visivelmente, para lembrar a militância de que 2026 é ano eleitoral e de que a principal liderança está encarcerada, que não existe vácuo na política e que alguém precisa herdar o espólio digital. Então, que seja Nikolas, ele próprio. Aqui não há crítica, mas crônica. O jovem deputado sabe que Bolsonaro permanecerá preso e, que em certa medida, o ato da caminhada pode mantê-lo na ‘Papudinha”, longe da prisão domiciliar. Ou seja, sobra método genuinamente ideológico na caminhada, mas falta propósito, política e proposta.
Danilo Nunes é advogado e professor.
Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC




