Terra de infinito horizonte
O Diário - 12 de maio de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e titular da cadeira 7 da ABC / @profkarlaarmani
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Leitor amigo, se a você fosse dada a missão de apresentar a história de Barretos para um grupo de estrangeiros – cuja maioria está conhecendo o Brasil pela primeira vez – como você faria? Seria preciso apresentar Barretos pela ótica de seu passado, explicando sua origem, seu nome e suas tradições. Como essa missão foi dada a esta historiadora, quero dividir com meus leitores um pouco do raciocínio que pretendo trilhar.
Os monumentos – sejam estátuas ou prédios históricos – são a materialidade do passado que queremos contar, portanto, são por meio deles que a história é melhor visualizada. Tendo a chance de elencar apenas alguns, a Catedral do Divino Espírito Santo, as estátuas das famílias fundadoras, a praça Francisco Barreto e o Museu Ruy Menezes são os melhores símbolos para se explicar a origem do arraial, o nome, a formação da vila e os primeiros anos da cidade. A respeito das tradições pecuárias - a figura do gado, as feiras expositivas e o trabalho do peão de boiadeiro - o majestoso Recinto Paulo de Lima Correa continua soberano. A propósito, o monumento da música Boi Soberano complementa esse tema. O Hospital de Amor também faz parte desse itinerário, até mesmo para provar o quanto a história de Barretos é surpreendente, afinal, foi na terra do peão que nasceu o primeiro hospital de câncer do interior do Brasil.
Não por acaso, dr. Paulo Prata, fundador do Hospital de Amor, em 1962, ao receber a homenagem do diploma Gente Que É Notícia, promoveu uma das mais belas reflexões sobre Barretos em seu discurso. Algo que certamente precisa ser dito aos estrangeiros e a todos que apreciam a cidade. Disse ele que o povo de Barretos era habituado ao “infinito horizonte das invernadas, ao cadenciado das longas marchas, ao toque nostálgico dos berrantes, que plasma, molda uma autoridade e autoconfiança extremamente difíceis de encontrar, especialmente nas pequenas coletividades”. Paulo Prata destacou uma grande verdade sobre a nossa Barretos: somos a terra de infinito horizonte, onde dificilmente há linha que demarca o céu e a terra, isto é, o nosso limite. Em nosso infinito horizonte, couberam as invernadas, os estradões, a cidade e a sua mentalidade expansiva. É isso.




