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Todas as idades que moram em mim

O Diário - 11 de julho de 2026

Todas as idades que moram em mim

Cláudia Martins de Lima Cirurgiã-Dentista, Especialista em Ortodontia, Mestranda em Odontopediatria e Ortodontia, Membro do Conselho Curador da FEB, Dentista do Bem

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Tenho em mim todas as idades que já tive. Por momentos sou criança, pequena, de colo. Choro, brigo, reluto em aceitar o que me contraria ou machuca. E por ser criança, também logo me recomponho, enxugo as lágrimas e me distraio com a vida que insiste em me chamar para brincar. Volta e meia, sou distraída, vejo torres gigantes em livros e penso que um dia as verei. Tenho a fé que adultos deixam de ter. Há ainda dias inesquecíveis e ensolarados que tenho vinte e poucos anos, sou livre, sou leve, sou maior de idade e não tão cheia de empecilhos que me impeçam de apreciar o sol. Nesses dias, tenho o olhar vibrante, sorriso largo e um coração alegre de quem acredita que só coisas boas acontecem. Corro livre nos parques, peço doces na barraca e os como sem culpa. Sou jovem. Tem dias que me torno rebelde, adolescente inconsequente e decido que vou lutar pelo mundo, pela paz, pela natureza. Giro um lápis nos cabelos e os prendo, ergo as mangas da camisa e saio certa de que sou capaz de alterar o rumo do vento. Há dias que sou mãe, abraço minha filha, faço lição, sei a raiz quadrada de 2809. Somo, subtraído, divido. Também mora em mim a filha que fui. Ela ainda se demora no perfume do alho dourando no azeite, como quem encontra o caminho de casa e que acredita que o pavê de chocolate é a forma mais doce que a memória encontrou para não partir. Sou também, em outros dias, a anciã que ainda virá. Prevejo meu futuro. Me torno um pouco de todos que passaram por mim e me ensinaram as leis da vida. Sou justiça. Elas todas moram em mim e brincam entre si o dia todo, quase todo dia. E quando adormeço, sou só a filha do meu pai e da minha mãe que levanta as pernas com a coberta e gentilmente a dobra por debaixo dos pés para aquecê-los e dormir. Ali, vou renascer.