Transtorno que afeta fala e aprendizagem atinge até 9% das crianças
Sandra Moreno - 17 de outubro de 2025
APOIO: Arthur junto a mãe Regiani recebe atendimento de Anna que é fonoaudióloga
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Mãe e especialista reforçam a importância do diagnóstico precoce do TDL e do acolhimento escolar

DIVULGAÇÃO: Regiani ao lado do filho Arthur busca ampliar o conhecimento do TDL
A data 17 de outubro marca mundialmente o Dia de Conscientização do Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), uma condição que atinge entre 7% e 9% das crianças em idade escolar, sendo mais comum que o autismo, mas ainda pouco conhecida pela população e até mesmo por profissionais da educação e da saúde.
Na região de Barretos, a data ganha voz por meio de mães e profissionais que integram o movimento “Juntos pelo TDL”, que atua na divulgação de informações e no apoio a famílias que convivem com o transtorno.
Entre elas está Regiani Longo Fuzio, barretense e que reside em Guaíra e é mãe de dois meninos diagnosticados com TDL — Arthur, de 8 anos, e Miguel, de 5. “Minha luta não é apenas pelos meus filhos, que hoje são assistidos por excelentes profissionais, mas por todas as crianças que ainda não foram vistas. Eu fui uma criança desacreditada, e não quero que eles ou outros passem por isso”, conta Regiani, emocionada.
Segundo ela, o desconhecimento sobre o TDL faz com que muitas crianças sejam rotuladas injustamente. “Quando uma criança não aprende no mesmo ritmo, logo se conclui que ela é desatenta ou incapaz. Mas muitas vezes o que falta é o diagnóstico e o suporte adequados. O TDL é real e precisa ser falado”, destaca.
A fonoaudióloga e neuropsicopedagoga Anna Paula Jode Galati, que acompanha Arthur nas terapias, explica que o TDL é caracterizado por dificuldades persistentes no desenvolvimento e uso da linguagem — tanto na fala quanto na compreensão e na construção das frases.
“Muitas vezes ele é confundido com outros transtornos. Por isso, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais eficaz será o tratamento e melhor será a qualidade de vida da criança”, afirma.
Anna orienta que pais e educadores fiquem atentos aos sinais de alerta:
“Crianças de um ano e meio já devem falar palavras pequenas. A partir de dois anos, é esperado que comecem a formar frases simples. Se isso não ocorre, é importante buscar uma avaliação especializada. O tempo de cada criança deve ser respeitado, mas também existem marcos do desenvolvimento que precisam ser observados.”
Para Regiani, a conscientização é o primeiro passo para combater a invisibilidade que cerca o transtorno. “O TDL é uma questão de saúde pública. Ignorá-lo significa deixar crianças sozinhas diante de desafios que elas não conseguem enfrentar sem apoio. E quando perdemos uma criança na escola, perdemos também um futuro”, afirma.
O movimento “Juntos pelo TDL”, do qual Regiani faz parte, reúne familiares e pessoas com o diagnóstico em todo o país. O grupo distribui gratuitamente um guia escolar sobre o TDL e realiza ações de orientação e acolhimento através de suas plataformas digitais: juntospelotdl .
“Falar sobre o TDL é romper o silêncio. É permitir que mais crianças sejam vistas, compreendidas e apoiadas”, conclui Regiani.



