Esqueci minha senha
Turista não vem ver pedra brita

O Diário - 20 de janeiro de 2026

Turista não vem ver pedra brita

KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani

Compartilhar


            Parece ironia do destino, mas a antiga Casa Branca do dr. Antônio Olympio, situada na Praça Francisco Barreto (rua 16), foi mais um patrimônio demolido para que, em seu lugar, surgisse um tapete de pedra brita: um estacionamento. Esta historiadora, por diversas vezes, escreveu sobre como o centro histórico vem sendo tomado indiscriminadamente pelos estacionamentos, mas confessa não ter imaginado que justo aquela casa, que carregava tanta história, seria mais uma vítima dessa ignorância. E foi.

            Enquanto em Barretos os patrimônios históricos são demolidos e o museu municipal sequer é reformado, a vizinha Olímpia mostra como se deve tratar a própria história: com valor, responsabilidade, planejamento e atrativo econômico. Dentre tantos projetos, como o novo Museu do Folclore, a prefeitura de Olímpia desapropriou o casarão de Geremia Lunardelli, o Rei do Café, para restaurar e instalar o museu histórico do município. E mais: o futuro museu municipal terá uma sala destinada à história dos imigrantes, visto que o arquivo municipal (sim, lá tem arquivo municipal!) recebeu e cuidou de fichas de imigrantes que se estabeleceram na cidade. Essas informações estão em vídeos que o gestor local faz questão de compartilhar, pois a atual gestão entende e reconhece que Cultura e História são matéria-prima do turismo e da geração de empregos. 

            Em Olímpia, os parques aquáticos chamam os turistas, mas são os atrativos culturais, históricos e folclóricos que sustentam o seu turismo. Então, por que em Barretos os nossos atrativos, como a Festa do Peão, o Hospital de Amor e os grandes eventos, não podem ser fomentados pela nossa História e Cultura? Barretos não pode ter turismo só de arredores; a cidade tem uma história urbana a ser contada. Essa história foi construída tanto pela pecuária quanto pelo comércio, instituições, grandes casarões e outros prédios que ainda estão em pé como testemunhos da origem de Barretos. Porém, essa história só pode ser contada se os patrimônios forem cuidados pela gestão pública, para que inteligentemente sirvam ao turismo. Caso contrário, só restarão mais e mais estacionamentos. E convenhamos: tapetes de pedra brita não contam história; qualquer cidade tem. (Barretos não é qualquer cidade; a Casa Branca não era qualquer casa). 

KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani