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Um alerta – Quando a dor se soma à doença

O Diário - 25 de março de 2026

Um alerta – Quando a dor se soma à doença

Aparecido Cipriano

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Recentemente perdi uma amiga. Uma dessas pessoas raras, que não viviam apenas para si mesmas. No trabalho que exercia, ela ajudava muita gente. Orientava, encaminhava pessoas para tratamentos médicos, buscava soluções para problemas sociais e estendia a mão a quem muitas vezes já não tinha mais a quem recorrer.

Era o tipo de pessoa que fazia diferença na vida de muitos. Mas um dia ela perdeu o trabalho. E com ele não perdeu apenas uma ocupação ou um salário. Perdeu também um espaço em que realizava sua missão de ajudar os outros. Aos poucos, aquele silêncio onde antes havia movimento, gratidão e encontros foi dando lugar a um sentimento profundo de tristeza. Veio a depressão.

Como se isso já não fosse pesado o suficiente, veio também o diagnóstico de câncer. A ciência já aponta algo que muitas vezes percebemos na vida real - a depressão pode se associar a um pior prognóstico em diversas doenças, inclusive no câncer. O sofrimento emocional enfraquece o ânimo, diminui as forças e, muitas vezes, tira do paciente a esperança necessária para enfrentar a batalha. Minha amiga partiu.

Vem o alerta - Precisamos cuidar das pessoas que cuidam dos outros. Muitas vezes, quem mais ajuda também precisa ser ajudado. Quem mais estende a mão também precisa de alguém que perceba quando a sua própria mão começa a enfraquecer. Que nos lembre da importância de olhar com mais atenção para a mente, para o valor do trabalho que dá sentido à vida e, sobretudo, para as pessoas que fazem do bem aos outros a sua missão.

Algumas partem cedo demais, mas deixam marcas profundas no coração de todos que tiveram a sorte de cruzar seus caminhos.