Você realmente escolheu essa vida?
O Diário - 11 de outubro de 2026
Mari Armani Psicóloga clínica, especialista em psicanálise. @mariarmani.psi
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Em algum momento, entre o trabalho, os relacionamentos, a família e tantas responsabilidades, podemos nos perguntar: “Como cheguei até aqui?” ou, ainda mais profundamente: “Eu realmente escolhi essa vida?”
A psicanálise nos lembra que nem todas as nossas escolhas são plenamente conscientes. Desde cedo, somos atravessados pelos desejos, expectativas e valores da família e da sociedade. Podemos escolher uma profissão, um relacionamento ou um modo de vida acreditando que são decisões exclusivamente nossas, quando também podem expressar a necessidade de corresponder ao desejo do outro.
Freud, ao revelar a importância do inconsciente, mostrou que desejos, conflitos e repetições participam de nossas escolhas sem que necessariamente tenhamos consciência disso. Por isso, antes de perguntar “o que devo mudar?”, talvez seja importante perguntar: “O que, nessa vida, realmente me pertence?”
Isso não significa abandonar tudo. Significa começar a escutar aquilo que foi silenciado: os padrões que se repetem, os “sins” ditos quando gostaríamos de dizer “não” e os desejos que julgamos inadequados.
Quando o vazio, a insatisfação ou a sensação de viver para corresponder aos outros se tornam persistentes, a psicoterapia pode ajudar. Na escuta psicanalítica, compreender a própria história pode permitir que o sujeito se aproxime de seu desejo e encontre novas possibilidades de existir.
Talvez escolher a própria vida não seja romper com tudo, mas descobrir, pouco a pouco, o que realmente desejamos para nós.
Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise - @mariarmani.psi