Você sabe o que está assinando?
O Diário - 18 de junho de 2026
Luiz Roberto Rodrigues Júnior é advogado especializado em Propriedade Intelectual e Direito da Inovação pela FGV
Compartilhar
Vivemos na era da velocidade (é possível que você esteja lendo rapidamente este texto). Com contratos, não é diferente, são enviados por e-mail, termos são aceitos com um clique e documentos são assinados em poucos segundos. Tornou-se comum que as pessoas assinem sem ler, ou leiam apenas superficialmente aquilo que pode produzir efeitos importantes em suas vidas pessoais e profissionais.
O curioso é que, muitas vezes, a falta de leitura não decorre apenas da pressa, há também alguns componentes culturais: constrangimento em fazer perguntas, solicitar esclarecimentos ou admitir a não compreensão de determinada cláusula. Assim, confia-se ou presume-se. O que é temerário.
A assinatura representa muito mais do que um gesto formal, é a manifestação da vontade. Ao assinar, há assunção de direitos, deveres, obrigações e, em alguns casos, riscos imperceptíveis, que podem gerar futuramente um conflito, uma dívida ou uma grande frustração.
Por isso, questionar não é falta de educação. Ler com atenção não é excesso de zelo. Pelo contrário: são atitudes de responsabilidade. Quem compreende o que assina preserva sua liberdade de escolha e mitiga a possibilidade de decisões ruins.
Antes da próxima assinatura: reserve alguns minutos. Leia com calma! Pergunte tudo o que for necessário. Afinal, uma assinatura leva segundos para ser feita, mas suas consequências podem acompanhá-lo por toda a vida.



